FMBRU-USP propõe criação de Observatório de Inteligência, Inovação e Apoio à Gestão em Saúde

José Sebastião dos Santos, diretor da FMBRU-USP, apresenta proposta de Observatório para o SUS. Foto: Ale Gennari/FMBRU-USP

Iniciativa visa aliar ensino, pesquisa, inovação e assistência às novas tecnologias para incrementar a produção de evidências científicas, modernizar os sistemas de informação em saúde, além de aprimorar o acesso da população aos serviços do SUS e a resolutividade dos casos

Por Tiago Rodella/Comunicação USP Bauru

A Faculdade de Medicina de Bauru (FMBRU) da Universidade de São Paulo (USP) pretende implementar um Observatório de Inteligência, Inovação e Apoio à Gestão em Saúde (OIIGS).

Inovadora, a iniciativa tem como objetivo aliar ensino, pesquisa, inovação e assistência às novas tecnologias para incrementar a produção científica, modernizar os sistemas de informação em saúde, além de aprimorar o acesso da população aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e a resolutividade dos casos.

O professor José Sebastião dos Santos, diretor da FMBRU-USP, explica que o Observatório será uma plataforma acadêmico-assistencial voltada à produção de evidências, à integração de bases de dados em saúde, ao desenvolvimento de algoritmos clínicos e regulatórios, à inteligência artificial e transformação digital, ao telemonitoramento e à avaliação de políticas públicas, em estreita cooperação com gestores do SUS.

Segundo o dirigente, o Observatório favorecerá o desenvolvimento de painéis de inteligência para a gestão em saúde, possibilitando a avaliação do impacto de políticas de regionalização e regulação do SUS e o monitoramento de indicadores de acesso, qualidade e resolutividade dos casos. A produção de algoritmos permitirá a atualização de protocolos clínicos e regulatórios, bem como a implementação de soluções de telemonitoramento e de apoio ao matriciamento, isto é, uma prática em que equipes compartilham proposta de intervenção por meio da integração entre profissionais e especialistas dos diferentes níveis de assistência à saúde – da atenção básica, da regulação da oferta e da atenção hospitalar – para garantir o acesso adequado e oportuno, a operacionalização das linhas de cuidado e a integralidade da atenção em saúde.

“A ideia é que este Observatório para o SUS estimule e viabilize a construção de algoritmos clínicos e de regulação capazes de integrar assistência, ensino, pesquisa e gestão, contribuindo para um SUS mais eficiente, equitativo, resolutivo e orientado por evidências. Espera-se melhorar a relação custo-efetividade da atenção à saúde mediante um acesso mais oportuno, com redução de atendimentos, avaliações, exames e procedimentos desnecessários, facilitando e otimizando o acesso da população aos serviços”, resume José Sebastião.

“Com esta iniciativa, pretendemos reforçar o papel e a responsabilidade social da FMBRU-USP, colocando-a a serviço da sociedade como produtora de inteligência para o Sistema Único de Saúde. O Observatório dialoga, portanto, com a história da USP, em particular com a vocação do Centrinho, que sempre esteve associado à integração entre assistência, ensino e inovação social”, enfatiza.

Encontro ocorreu no dia 23 de junho, no campus da USP em Bauru, e reuniu dirigentes, estudantes, residentes, docentes, servidores, preceptores e tutores. Foto: Ale Gennari/FMBRU-USP

Interação e cooperação
A proposta de criação do Observatório foi apresentada pelo diretor José Sebastião dos Santos durante a terceira edição do Ciclo de Encontros FMBRU-USP e a Comunidade, realizada no último dia 23 de junho, na USP em Bauru. Com o tema “Desafio FMBRU-USP: Observatório para o SUS – Transformando evidências em cuidado, gestão e inovação”, o encontro celebrou também o 59º aniversário do Centrinho, instituição que originou a Faculdade de Medicina e o Hospital das Clínicas de Bauru e que permanece como base fundamental para o desenvolvimento de ambas as unidades.

Júlio César Garcia de Alencar, diretor-geral do HC Bauru, e José Sebastião dos Santos, diretor da FMBRU-USP, durante o encontro. Foto: Ale Gennari/FMBRU-USP

De acordo com o professor José Sebastião, este foi um primeiro passo, a apresentação da proposta para os docentes, estudantes e profissionais do Campus USP de Bauru. “Nossa expectativa é que esta iniciativa tenha sensibilizado nossa comunidade e que ganhe corpo e forma para viabilizar a articulação, interação e cooperação necessárias com os órgãos externos e todo o ecossistema locorregional de saúde, educação, ciência e tecnologia, por meio de editais, convênios e acordos de cooperação técnica. A interação e cooperação entre diferentes entes será fundamental para o êxito deste Observatório para o SUS, entre eles a Faculdade de Medicina de Bauru, o Hospital das Clínicas de Bauru e as Secretarias de Saúde dos municípios, em uma interface entre as tecnologias e ferramentas de inteligência e as políticas públicas”, ressalta.

Nessa perspectiva, o dirigente aponta como exemplo o convênio firmado entre a FMBRU-USP e o município de Agudos no início de 2026, que tem viabilizado a atuação de estudantes de graduação e pós-graduação lato e stricto sensu na rede municipal de saúde, a oferta de bolsas para preceptores e tutores e o custeio de materiais de consumo e insumos, fomentando a formação médica, a pesquisa e inovação, bem como a atenção à saúde da população.

O Observatório, segundo José Sebastião, converge ainda com ações e diretrizes governamentais como os Programas de Pesquisa em Políticas Públicas (PPPP e PPSUS), Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) e agendas de transformação digital e inovação em saúde, que envolvem órgãos como o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), as Fundações de Amparo à Pesquisa (como a Fapesp) e as Secretarias Estaduais de Saúde e de Ciência e Tecnologia.

Cenário institucional propício
Na terceira edição do Ciclo de Encontros FMBRU-USP e a Comunidade, o professor José Sebastião dos Santos também contextualizou como o atual cenário institucional é propício para a criação do Observatório de Inteligência, Inovação e Apoio à Gestão em Saúde.

No âmbito da Universidade de São Paulo, o dirigente mencionou a implementação do Centro de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (CIAAM), um dos nove centros de estudos multidisciplinares criados pela Reitoria da USP a partir de 2023 para o desenvolvimento de pesquisas em temas estratégicos da sociedade, e o Centro para Inteligência Artificial em Gestão de Saúde (ciaGsaude), centro temático lançado em 2025, ligado ao CIAAM e sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP.

Prédio que reúne setores da FMBRU no Campus USP de Bauru. Foto: Tiago Rodella/USP

Ainda de acordo com o professor, outras circunstâncias recentes favoráveis para a implementação do Observatório para o SUS são: a celebração de convênio entre a FMBRU-USP e o município de Agudos; a ampliação das Residências Médicas em rede de atenção à saúde; o fortalecimento dos programas de Residência Multiprofissional e de Prática Profissionalizante no âmbito da FMBRU-USP; a ampliação do escopo assistencial e o desenvolvimento célere do Hospital das Clínicas de Bauru; a contratação de novos docentes para a Faculdade de Medicina de Bauru; os novos desafios para a pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado); editais estratégicos de agências de fomento (Fapesp, CNPq, Capes e Ministério da Saúde); e a instituição, pela USP, da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (GACE).

Saiba mais
Confira, neste link, reportagem da TV USP Bauru com a cobertura da terceira edição do Ciclo de Encontros FMBRU-USP e a Comunidade.

Publicado em 7/7/2026.

 

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